sexta-feira, 12 de abril de 2013

A hora Mais Escura




Crítica feita por Julio Sonsol

A Hora Mais Escura - Poster

Quando vi A hora mais escura relacionado entre os indicados ao título de melhor filme do Oscar de 2013, confesso que não me interessei em assistir. Já tinha me decepcionado com Argo, o “grande vencedor”, filminho meia boca, forjado de encomenda para o ufanismo americano. Imaginava A hora mais escura na mesma linha de Guerra ao terror, também vencedor de Oscar, em 2009, apesar do orçamento de US$ 11 milhões, considerado insignificante para os padrões hollywoodianos.

A hora mais escura foge da linha “vejam como somos maravilhosos” impostos aos filmes em que os Estados Unidos é parte de algum conflito; e ataca de frente a noção de direitos humanos ocidental. Conduzido de forma linear pela mesma diretora de Gurra Terror, Kathryn Bigelow, o filme inicia com uma narração em off dos acontecimentos de 11 de setembro de 2001. Logo em seguida, as imagens mostram um prisioneiro árabe sendo torturado para revelar quem faz o contato entre Bin Laden e os terroristas muçulmanos espalhados em volta do mundo.

Estas cenas de tortura foram suficientes para desbancar a produção do posto de favorita e remetê-la ao ostracismo na festa do Oscar. Os políticos de Washington quiserem descreditar o que resto do mundo sabe que é verdade. Basta lembrar que prisioneiros de “guerra” são remetidos a Guantânamo, fora do território nacional, para que a Constituição do país não possa ser invocada e qualquer trato indigno praticado pelos verdugos americanos não será passível de sanção de qualquer ordem. Simples assim.

Achei interessante a opção de Bigelow em colocar como protagonista uma mulher. Maya, interpretada por Jessica Chastain, conduz a trama e é quem faz de tudo para que o alvo das ações de guerra seja Bin Laden. Outros burocratas da inteligência preferem resultados mais imediatos, como a descoberta da próxima ação terrorista do Al Qaeda. O chefe maior do esquadrão muçulmano parece ser um “target” menor, o incapaz de produzir repercussões políticas positivas de grande monta para o esquadrão anti-terror da CIA. Ou será que havia outros interesses em manter Laden vivo? Essa possibilidade nem sequer é arranhada pela produção, que consegue ser mais burocrática do que os burocratas de Washington.

Maya acompanha in loco as sessões de tortura (em local desconhecido para a produção, mas muito provavelmente a base americana em território cubano). Ela é apontada como uma assassina pelos superiores. Não me pergunte porquê. Até agora não descobri. E é ela que sozinha(?) consegue fazer com que as operações sejam dedicadas a matar Bin Laden. Até então, outros alvos seriam mais importantes e dignos de dispêndio de energia por parte dos agentes de inteligência.

O fim já é conhecido por todos. Bin Laden é assassinado de forma brutal, no interior de sua casa no Paquistão, quase um ano depois da moradia ter sido localizada pelas forças de inteligência. Nada de novo. Os americanos, deste vez, não praticaram nenhum ato de heroísmo. Apenas se livraram de um “terrorista” inconveniente.

Mas o filme não deixa de ter suas patriotadas. A certa altura, um agente da CIA diz que os muçulmanos não toleram a liberdade existente na América, por isso elegeram como alvo os cidadãos americanos. Nada fala sobre o suporte político e bélico dado aos ditadores que em volta do mundo ficaram contra os seus próprios povos, a favor dos interesses econômicos alienígenas, de multinacionais e transnacionais.

Também senti falta da presença de Barack Obama, que em sua campanha pela presidência prometeu aos americanos a cabeça de Bin Laden em uma bandeja de prata.
Acho que este filme tende a ser esquecido rapidamente. Eu, pelo menos, tenho mais com quê ocupar os meus neurônios.

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