segunda-feira, 15 de abril de 2013

O Mestre



Crítica feita por Julio Sonsol

Confesso que esperava mais de O mestre, dirigido por Paul Thomas Anderson. Afinal de contas, quem já demonstrou genialidade em Magnólia e Boogie Nights, sempre cria expectativas positivas. Mas estas já foram frustradas em Sangue Negro (Blood in the end), um filme apenas mediano, que também disputou o Oscar e perdeu para "Onde os Fracos Não têm Vez" (No country for old men - 2007). Aguardava uma recuperação do queridinho da crítica americana. Fiquei só na vontade.

O mestre não é um filme fácil. Meio dúbio quanto ao protagonista. Ora é Lancaster, chefe de uma seita cientificista em formação, ora Freddie, um alcoólatra, meio desorientado da vida, com claros sinais de psicopatia, que é adotado como discípulo do mestre Lancaster.

O cenário é o pós guerra nos Estados Unidos, mostrando uma população meio perdida e capaz de seguir qualquer messias. Parece que o roteirista (também Anderson) é descrente em saídas messiânicas para a sociedade. Lancaster se propõe a ser guru das pessoas que precisam de um guia espiritual para a vida delas. Mas o guru ainda não consolidou um séquito, o que deixa até mesmo a própria família em dúvida quanto ao destino econômico. Afinal de contas, são os seguidores que dão o gás financeiro em qualquer seita, ou algo que se pareça como tal. E Lancaster parece mais distante do que próximo de chegar a esse objetivo, gerando uma tensão entre os familiares.

Freddie encontra Lancaster em um barco, onde está sendo realizado o casamento da filha do guru. Logo é trazido para a Causa. Talvez por conta de sua mente doentia, facilmente manipulável por quem procura dar as respostas do universo. Mas o roteiro meio que mostra uma similaridade de caráter entre Lancaster e Freddie. E talvez seja esta a razão da parceria que se estabelece e conduz as tensões da trama.

Em pouco tempo, Lancaster está entornando as biritas produzidas artesanalmente por Freddie. A loucura fantasiosa não destoa em muitos pontos da insanidade espiritualista, travestida de doutrina semi-religiosa. Freddie, ao mesmo tempo que não consegue se enquadrar nas propostas de seu mentor, tem uma fidelidade canina a ele.

Mesmo com personagens com densidade, bem caracterizado e afastados dos padrões de normalidade ( e eu gosto disso), a história não chega a envolver. Os protagonistas são anti-heróis no mais claro sentido que este conceito possa ter, não permitindo qualquer empatia. Nada que se compare a um Hannibal Lecter de Silêncio dos Inocentes. Falta charme aos personagens que a gente encontra em filmes bem sucedidos em mostrar o lado das sombras de seus personagens.

Apesar de tantos senões, assistir O mestre pode ser uma experiência razoável, se a gente não se cercar de expectativas. Tem o mérito de não seguir as cartilhas e receitas de bolo, tão comuns no meio cinematográfico. Em tempos que 007 não acerta mais os alvos nem tem saúde para perseguir os espiões russos, Batman vive em crise existencial e o Super-homem precisa de um terapeuta, parece que o anti-heroísmo vai virar lugar-comum, em breve.

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