sexta-feira, 6 de junho de 2014

Spike Lee refilma o clássico 'Old boy' com mais violência e impacto final



E finalmente, como é de se esperar, a versão americana de “Old boy” consegue superar a violência do filme original, do sul-coreano Chan-wook Park. Mas o diretor norte-americano Spike Lee, além de aumentar o sangue, a violência e o tom sombrio, consegue ampliar o impacto do macabro desfecho, que já era escabroso.

Por Wander Oliveira

Apesar do teor, o requintado longa asiático foi um sucesso, levando, em 2003, o Grande Prêmio do Júri em Cannes e, mais do que justos elogios da crítica pelo mundo. Com um visual bem sombrio e um ritmo que às vezes parece dar nó no estômago, o filme nunca perdeu o caminho que seu protagonista ansiava percorrer, e vale lembrar inclusive que a história é baseada em um mangá.

Mas aí vem o cinema americano. O projeto, que em princípio poderia estar mais próximo a Quentin Tarantino, no entanto, caiu nas mãos de Spike Lee, um dos diretores mais engajados da América. Um diretor mais "culto" e as dúvidas sobre o resultado final, assim, só aumentaram.

Aqui, Joe (Josh Brolin em grande performance) é um alcoólatra, cujos desafetos crescem de forma alarmante. Em uma noite qualquer de embriaguez, é misteriosamente sequestrado e colocado em um quarto com televisão e banheiro. Preso, sem contato com o mundo exterior, não tem ideia de quem o capturou. Sua comida é passada por uma abertura na porta.

Nesse ambiente desesperador, sabe por um programa de TV que sua ex-mulher foi brutalmente assassinada e sua filha entregue para adoção. Durante os 20 anos seguintes, Joe passará nesse quarto, tentando manter sua sanidade, escreve uma série de cartas à filha (porém as mantem guardadas) e atém-se a um plano de fuga que nunca dá certo.

No entanto, certo dia é libertado sem qualquer explicação. Com a ajuda de uma assistente social (Elizabeth Olsen) e um amigo de infância (Michael Imperioli), ele busca a verdade sobre sua prisão. Não demora muito para encontrar seu algoz (Sharlto Copley, em um papel em que interpreta apenas para pagar o aluguel), que lhe faz uma proposta: se descobrir, em cinco dias, porque foi mantido em cativeiro durante duas décadas, receberá US$ 30 milhões em diamantes e terá sua filha de volta.

A violência, que deixa pelo caminho do momento em que acorda livre ao grande desfecho, é ainda mais perverso que o original, saturando a tela. Em especial, a cena em que Joe tortura o chefe da “prisão” (Samuel L. Jackson), é de um realismo impressionante.

Porém, é clara a superioridade do original sul-coreano quando comparado a esta nova versão. E o mérito está justamente na inventividade de levar toda a história à tela, colocando as emoções em um liquidificador e ligá-lo, para posteriormente servir aos fãs do cinema.

0 comentários:

Postar um comentário

Siga por E-mail

Total de visualizações

Tecnologia do Blogger.